CIESPI - Centro Internacional de Estudos e Pesquisas Sobre a Infância

ESPAÇOS ABERTOS

Por sua dimensão de cidade e dificuldade de locomoção devido a distâncias atravessadas por becos, escadarias, lajes, vielas, estrada e ruas principais, são inúmeros os espaços abertos que se tornam lugares de brincadeiras e convivências. Nesse conjunto encontram-se quadras, pequenas praças, terrenos de terra batida, pátios de escolas, pista de skate, clareiras na mata, como também os espaços ao ar livre delimitados pelo encontro de ruas e becos, por uma pedra ou árvore. Os critérios utilizados para a apresentação desses espaços partem das diferentes formas como os moradores, em especial as crianças, os utilizam.

Para além dos espaços institucionalizados voltados para a criança em seus primeiros anos de vida, os espaços abertos próximos às moradias, são fundamentais para seu desenvolvimento, pois favorecem a convivência comunitária, familiar e transgeracional, e potencializa o contato com a cultura local.

Uma das questões que sempre acompanha os projetos de espaços abertos ao público é a sua manutenção permanente. Muitas vezes são moradores voluntários ou articuladores culturais que se colocam disponíveis para a manutenção e a realização de propostas esportivas e de lazer. Faz-se importante investir na manutenção física e cultural para que esta não seja apenas voluntária.

Outra questão aponta que os espaços abertos de convivência na Rocinha reconhecíveis como praças, quadras, dentre outros, não suprem a demanda local. Ocorre que outras áreas de convivência, não visíveis aos visitantes ou passantes pelas ruas principais, se criam, se “conservam” e se “estabelecem” como pontos de encontro, convivências e brincadeiras sendo. Espaços, com frequência, não adequados e seguros.

Ao invés de altos investimentos em poucas construções e amplos espaços localizados em áreas “visitáveis”, sugere-se investimento em espaços de simplicidade, com uma linguagem mais local, e de pouco custo que incluíssem brinquedos feitos por artesãos ou grafiteiros sem um padrão a ser replicado; brinquedos inspirados em rodas, giros, balançar; ou simplesmente mantendo o campo de futebol, que surge improvisado, colocando luz, garantindo a coleta de lixo e viabilizando sua manutenção, necessários como em qualquer parte da cidade.

Os pontos indicados como espaços abertos de convivência, podem ser potencializados como espaços educação, esporte, saúde e arte, entendendo-os como locais de convergência de direitos e com amplos potenciais de comunicação, mediação, transversalidade, monitoramento e controle no processo de implementação de políticas. Essa visão implica em gestões participativas, considerando a organicidade da comunidade, com orientação de compartilhamento com articuladores locais das áreas de saúde, educação, cultura e esporte se constituindo como consultores de um processo colaborativo.

Mapa Espaços Abertos

MAPAS ILUSTRADOS

As lâminas cartográficas da Rocinha que constam nesse ambiente foram criadas pela equipe do CIESPI no âmbito dos projetos Improving the life chances of low-income young children in urban Brazil/ Estudo em duas comunidades do RJ sobre as condições de vida de crianças nos primeiros anos de vida (2010) e Primeira Infância no Brasil Urbano (2011-2012) e têm a intenção de facilitar a compreensão da dinâmica da comunidade onde a criança está inserida.

Estes projetos foram desenvolvidos com o apoio da Fundação Bernard van Leer e do Instituto C&A.

Mapa Afetivo, 2010
Mapa de Dinâmica, 2010
Mapa Riscos, 2010

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